Por que a taxa de crescimento do EPS é importante?
A valorização de longo prazo do preço da ação, em última análise, deriva da força do crescimento constante do Lucro Por Ação (EPS).
O que são EPS e a taxa de crescimento do EPS?
O EPS (Lucro Por Ação) é o lucro líquido de uma empresa dividido pelo número de ações em circulação. Se o lucro líquido for de R$100 bilhões e o número de ações for de 100 milhões, o EPS será de R$1.000. É um indicador que mostra quanto lucro contábil é atribuído a um acionista que possui uma ação.
A taxa de crescimento do EPS é o valor percentual que indica o quanto o EPS aumentou durante um determinado período. Se o EPS do ano passado foi de R$1.000 e o deste ano é de R$1.200, a taxa de crescimento é (1.200-1.000)/1.000 = 20%. Ao analisar tendências ao longo de vários anos, a comparação usando a Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) evita ser influenciado por flutuações temporárias de um único ano.
Este artigo é um material educacional que explica como interpretar indicadores, e não uma recomendação de investimento. O mesmo princípio se aplica tanto às ações do KOSPI na Coreia do Sul quanto às ações do S&P500 nos Estados Unidos.
O preço da ação, em última análise, segue o lucro
A forma mais simples de decompor o preço de uma ação é 'EPS multiplicado pelo P/L'. Por exemplo, se o EPS for de R$5.000 e o P/L atribuído pelo mercado for de 15 vezes, o preço da ação será de R$75.000. Aqui, o P/L flutua de acordo com as expectativas e o sentimento dos investidores, mas o EPS é o resultado do que a empresa realmente lucrou.
No curto prazo, o P/L flutua significativamente, impactando o preço da ação. No entanto, em um horizonte de 5 a 10 anos, a amplitude da variação do P/L tem limites, e o preço das ações de empresas cujo EPS cresceu consistentemente duas ou três vezes tende a subir, refletindo esse crescimento de lucro.
Por outro lado, empresas com EPS estagnado ou em declínio dificilmente conseguem sustentar uma valorização do preço da ação, mesmo que suba temporariamente devido a expectativas. A base para a rentabilidade de longo prazo é o crescimento do lucro, e é por isso que a taxa de crescimento do EPS é observada.
Como interpretar a taxa de crescimento?
Não se pode determinar se é bom ou ruim apenas com números absolutos. Mesmo um crescimento anual de 5% pode ser robusto para uma empresa estável de bens de consumo essenciais, mas pode ser decepcionante para uma ação de crescimento supervalorizada. A taxa de crescimento deve ser sempre analisada em conjunto com as características do setor em que a empresa atua e as expectativas do mercado.
A qualidade do crescimento também é importante. O crescimento do EPS que acompanha o aumento das vendas é um sinal de que o negócio está realmente crescendo. Por outro lado, o crescimento do EPS gerado por redução de custos ou recompra de ações (diminuindo o número de ações) enquanto as vendas permanecem estagnadas pode ter baixa sustentabilidade. É necessário ter o hábito de verificar a origem do crescimento na demonstração de resultados.
O PEG é um indicador que conecta a taxa de crescimento e a avaliação (valuation). É o P/L dividido pela taxa de crescimento do EPS. Se uma empresa tem um P/L de 30 vezes e uma taxa de crescimento de 30%, o PEG será 1.0. Isso demonstra numericamente a intuição de que, para o mesmo P/L, uma taxa de crescimento mais alta implica em um menor 'custo'.
Como usar na prática
O EPS de um único ano pode ser facilmente influenciado por fatores não recorrentes, por isso é importante analisar a tendência de 3 a 5 anos. Se lucros não recorrentes, como ganhos com a venda de imóveis ou reversão de provisões para litígios, estiverem incluídos, o EPS daquele ano pode ser inflacionado. O essencial é verificar se o crescimento é consistente nas operações principais da empresa.
Além dos resultados passados, também se deve consultar o EPS futuro estimado pelo mercado. A taxa de crescimento do EPS forward, calculada a partir da média das estimativas de várias corretoras (consenso), reflete as expectativas futuras, mas é preciso considerar a limitação de que são apenas estimativas e podem estar erradas.
Quando os resultados trimestrais de uma empresa são maiores ou menores do que as expectativas do mercado, o preço da ação reage significativamente; isso é conhecido como surpresa de lucros (earnings surprise). Ao acompanhar a tendência de crescimento do EPS e a diferença entre os resultados reais e as expectativas, é possível entender a lacuna entre a expectativa e a realidade.
Armadilhas e limitações comuns
O EPS é o lucro líquido dividido pelo número de ações em circulação, portanto, é afetado por mudanças no denominador. Se a empresa recompra e cancela ações, o EPS aumenta mesmo que o lucro líquido permaneça o mesmo. Se o número de ações aumenta devido a uma emissão de novas ações (aumento de capital), o EPS é diluído e diminui, mesmo que o lucro seja o mesmo. É por isso que é essencial verificar as mudanças no número de ações ao analisar a taxa de crescimento.
Também é preciso ter cuidado com o efeito base. Imediatamente após uma empresa sair do prejuízo para o lucro, a taxa de crescimento pode atingir centenas de por cento, mas isso ocorre porque a base de comparação era muito baixa, e não porque o negócio explodiu tanto. Taxas de crescimento anormalmente altas devem ser interpretadas após a verificação do denominador.
O EPS é um lucro contábil e pode diferir do fluxo de caixa real. Como o lucro pode ser ajustado até certo ponto dependendo dos métodos contábeis, a verificação cruzada com indicadores como Fluxo de Caixa Livre (FCF) ou margem de lucro operacional pode tornar a imagem mais clara.
Pontos-chave de verificação
Em resumo, a taxa de crescimento do EPS é um motor fundamental para a valorização de longo prazo do preço da ação, mas não deve ser lida como um único número. É preciso considerar se o crescimento é acompanhado por vendas, se não há lucros não recorrentes ou mudanças no número de ações, e se o nível é apropriado no contexto do setor e da avaliação (valuation).
Os itens a serem verificados são os seguintes: A tendência de 3 a 5 anos é de alta? O crescimento das vendas está apoiando? Não foi inflacionado por mudanças no número de ações? A taxa de crescimento em relação ao P/L (PEG) é razoável? Os indicadores de fluxo de caixa estão alinhados? Verificar esses cinco pontos como um hábito permite utilizar o indicador de taxa de crescimento do EPS de uma forma muito mais abrangente.
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